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    Histórico do CBMERJ

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    CORPO DE BOMBEIROS

    150 anos salvando vidas e bens

    Fatos que deram origem à criação do Corpo de Bombeiros

    Com o passar dos anos, alguns setores governamentais, embora acanhadamente, começaram a se preocupar com os incêndios intempestivos. Repartições, como a de Obras Públicas, adquiriram alguns baldes de lona, cordas e escadas e os mantinham prontos para uso imediato, em caso de surgir algum incêndio. Além disso, escalavam dentre os funcionários mais rápidos e corajosos os que deveriam largar os seus afazeres e correrem para o incêndio que surgisse, levando o material destinado àquele trabalho. Mas isso não satisfazia a necessidade de se extinguir os incêndios que aumentavam na medida em que a cidade também crescia. Por serem setores diferentes, cada um trabalhava segundo a sua visão, e aos funcionários se juntavam os populares. Alguns, mesmo com boa intenção, não tinham a menor prática naquele mister e outros camuflavam na ajuda a verdadeira intenção de furtar objetos de valor. Não havia um responsável, e cada incêndio era uma balbúrdia que obrigava os policiais da Corte a agir, aumentando a confusão. É bem verdade que o chefe de polícia procurava organizar o serviço, mas a falta de conhecimento naquela área não ajudava muito e quase sempre os incêndios eram extintos por não haver mais o que queimar.

    A cidade continuava a crescer e os incêndios, também. Era preciso fazer algo. O Arsenal de Marinha tinha um grupo especializado para extinguir incêndios em embarcações. Já havia uma experiência naquele tipo de atividade, e o Arsenal possuía ainda algumas bombas portáteis e respectivas mangueiras. Aproveitando essa condição, o Imperador D. Pedro II editou o Alvará Régio datado de 12 de agosto de 1797, atribuindo ao Arsenal de Marinha a responsabilidade sobre o serviço de extinção na Cidade do Rio de Janeiro. O pessoal e o material utilizado deveriam ser o do Arsenal e das repartições que já se ocupavam das extinções. Durante algum tempo, o serviço de extinção foi executado como planejado, mas não demorou até ocorrer a primeira das muitas divergências que obrigariam a uma intervenção da Corte.

    Quando ocorria um incêndio, além do pessoal das seções, comparecia o Inspetor-Geral do Arsenal, pela responsabilidade do trabalho, e quase sempre o chefe de Polícia. Como a atividade era em terra, o chefe de Polícia, julgando-se autoridade maior, contestava as ordens dos bombeiros do Arsenal, mesmo não tendo a menor experiência em incêndios. Cresciam juntos a cidade, a quantidade de incêndios e as divergências entre aquelas autoridades.

    Desde 1817, o Inspetor-Geral de Marinha, vice-almirante Antônio da Silva Pacheco, embora não fosse obrigado por lei, vinha adotando a praxe de comparecer pessoalmente aos incêndios, tanto em terra como no mar, superintendendo os trabalhos de extinção, pois gostava do serviço. Como o Arsenal já dispunha de bombas manuais e respectivas mangueiras, esse material era transportado e manobrado por escravos, que foram posteriormente substituídos por operários militarizados, sediados no Arsenal. Naquela época, as seções em que havia pessoal para o serviço de incêndios eram, além do Arsenal de Marinha, o Arsenal de Guerra, a Casa de Correção, com um grupo de africanos livres, e a Seção de Obras Públicas, que possuía dois grupos distintos. Em todos os incêndios, para auxiliar a manutenção da ordem e isolamento do local, comparecia a Polícia.

    Em 11 de agosto de 1825, durante os trabalhos de extinção de um incêndio que ocorria na Casa da Moeda, deu-se um conflito entre o inspetor do Arsenal de Marinha e o brigadeiro da Guarda de Polícia, ambos querendo administrar o serviço. Nos incêndios de menor porte, essas divergências não existiam ou eram pouco notadas, mas no caso da Casa da Moeda tal disputa de autoridade não soou bem aos ouvidos do Império. Achando-se ferido em seus brios, o Inspetor oficiou ao Ministro da Marinha, solicitando esclarecimentos sobre suas atribuições nos incêndios. O Ministro então, por Aviso (documento oficial da época) de 17 do mesmo mês, respondeu que a supervisão dos trabalhos, como vinha acontecendo até então, competia exclusivamente ao diretor do Arsenal, assinalando inclusive que o material pertencia ao Arsenal, bem como o pessoal, ficando a polícia com as atribuições específicas de sua área. Durante algum tempo, ou seja, por alguns anos, não houve atritos dignos de registro.

    Em 22 de julho de 1841, uma violenta explosão, seguida de incêndio, destruiu completamente o palacete da Aclamação, no Campo de Santana.

    Achava-se concentrada grande quantidade de fogos de artifícios para o encerramento da sagração à coroação de D. Pedro II, quando se deu a explosão, cuja causa "não foi possível apurar". Nessa ocasião, houve várias mortes e muitos feridos. Sensível ao acontecido, o Imperador mandou suspender os festejos e custeou as despesas dos funerais e o tratamento dos feridos.

    Em 1845, voltou a anarquia na questão da direção do combate aos incêndios.

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